Em Alcácer do Sal ….

Em Alcácer do Sal ….

No fim de semana de 17 e 18 de março realizou-se, em Alcácer do Sal, a I Reunião Alargada da Direção da Associação, eleita em 19 de fevereiro.
Além dos membros da Direção estiveram presentes várias associadas num total de 19 pessoas, vindas de vários pontos do país, que durante a manhã e a tarde sábado discutiram com afã e inspiradamente o Plano de Atividades da Associação para 2018.

Esta Reunião vai ficar nos anais da Associação não só pela riqueza da discussão havida, mas também pelos momentos de lazer e de cultura vivenciados.
Desde logo, pelo acolhimento caloroso recebido na Herdade da Barrosinha, onde decorreram os trabalhos da Reunião e as participantes ficaram instaladas.
E depois também pelas ocasiões de convívio que foram promovidas pela associada Ana Etelvino, advogada, em Alcácer.
Assim, depois da Reunião, no final da tarde de sábado, teve lugar uma visita à Adega da Herdade da Barrosinha.
Aí, o Sr. António Antero explicou com detalhe e todo o saber de uma vida, as castas do vinho produzido na Herdade, e todo o seu processo de preparação, dos tintos, aos, brancos, rosés e ao moscatel.
Seguiu-se uma degustação de enchidos, queijos e outras iguarias típicas do Alentejo, com destaque para uma aprimoradíssima salada de orelha, gentilmente servida pelo Sr. Roberto. E que foi acompanhada por um momento musical, pela voz de Inês Villa-Lobos, guitarra do Dr. António Villa-Lobos, notário em Alcácer, e viola de Hélder Azinheirinha, que generosamente se estendeu de fados a cantigas populares e marchas populares.
Seguiu-se um jantar em que foi servido um magnífico assado de borrego, nado e criado na Herdade, rematado, entre outras sobremesas, por umas tartes de amêndoa e de requeijão que satisfariam os mais exigentes palatos.
No domingo, a Câmara Municipal de Alcácer proporcionou às associadas uma visita pelo concelho, conduzida pela dra. Rita Torres do Pelouro do Turismo, que com imenso entusiasmo e não disfarçado orgulho deu a conhecer a importância política, militar e económica de Alcácer do Sal em sucessivos períodos históricos e alguns locais de interesse cultural.
Assim, às 10h da manhã, uma camioneta da Câmara estacionava no Hotel para levar as participantes à Cripta Arqueológica do Castelo, localizada no subsolo do antigo Convento de Nossa Senhora de Aracaelli, fundado em 1573 por D. Sebastião, destinado às freiras Clarissas, hoje recuperado e convertido na Pousada D. Afonso II.
A visita à Cripta deu azo a uma verdadeira viagem no tempo, do seculo VII A.C. até ao século XVII, através de estruturas arquitetónicas sobrepostas, encontrando-se paredes que se cortam, entrecruzam e se interrompem, que remontam à Idade do Ferro, a paredes da época romana e muros da época medieval e fundações seiscentistas de construções conventuais, demonstrando a importância do local como núcleo populacional ao longo de sucessivas ocupações.
É de destacar um importante edifício da Idade do Ferro que, pela sua dimensão e configuração, terá sido um santuário, posteriormente mantido e reaproveitado para a construção de um santuário romano. No poço do santuário foi encontrada uma “tabela defixiones”, com a gravação em latim de uma maldição, que até agora é o único documento deste género conhecido em Portugal.
Encontram-se expostos na Cripta inúmeros achados arqueológicos que testemunham o poderio económico de Alcácer do Sal, a Beuipo da Idade do Ferro, nas rotas comerciais entre o norte e sul da península através do rio Sado e os contactos que mantinha com os povos do Mediterrâneo oriental, fenícios, gregos, egípcios. São pratos e vasos cerâmicos, moedas, estatuetas de terracota e de bronze, adornos e amuletos, fragmentos de vidro, cossoiros, pequenas figuras de bronze zoomórficas e antropomórficas a representar guerreiros, orantes e animais.
Toda a visita à Cripta foi orientada por um funcionário que, muito competentemente, enquadrou todos os achados arqueológicos na história do apogeu e decadência da Beuipo da Idade do Ferro, da Salácia do período romano, da Al-Qasr islâmica e da Alcácer do Sal medieval e cristã, que foi sede da poderosa Ordem de Santiago, instalada na alcáçova do Castelo, construído com a chamada taipa militar e típica arquitetura do Período Almorávida.
De seguida, visitou-se a Igreja de Santiago, uma pequena “igreja salão”, de estilo barroco, mandada construir por D. João V, com o ouro vindo do Brasil, cujo interior está totalmente revestido de azulejo com a representação da vida e morte de Jesus Cristo.
No trajeto até ao Caís Palafítico da Carrasqueira, a Guia foi revelando os investimentos na produção agrícola no concelho de Alcácer, a instalação de novos empreendimentos turísticos e proliferação de alojamento local, tudo o que está a mudar a concelho de Alcácer, incluindo uma intensa reabilitação urbana na cidade. Atendendo a essa realidade a Câmara tem vindo a criar atividades culturais no âmbito do turismo cultural, em que se insere, a “Rota dos Negros”, de S. Romão do Sado a Rio de Moinhos, reavivando a memória dos escravos vindos de África para trabalhar nos campos de arroz por que eram imunes à malária, e ainda, o percurso alternativo da Rota de Santiago, entre Alcácer, Grândola e Vendas Novas, cujo mapeamento do património arqueológico, cultural e imaterial daqueles concelhos está ser concluído.
Ao chegar à aldeia da Carrasqueira, onde as casas típicas dos pescadores, algumas ainda em chão de areia, estão hoje a ser utilizadas para turistas, foi indicado pela Guia, o papel crucial das mulheres dos pescadores na limpeza e manutenção do cais, a que se deve o nome de “Guardiãs do Sado”.
O Cais Palafítico existe desde há mais, sendo sucessivamente renovado. O atual foi construído na década de 50, tendo os pescadores aumentado engenhosamente a capacidade de atracagem dos barcos através da forma serpenteada e ramificada de todo o cais.
Por fim, e oferecido pela Câmara Municipal da Alcácer do Sal, teve lugar um excelente almoço em que estiveram presentes o Vereador da Cultura e todos as/os funcionárias/os da Câmara que acompanharam as participantes ao longo da manhã, num animado convívio, que permitiu um melhor conhecimento da atividade da APMJ e um estreitamento das relações com a Câmara.

Sobre Nós

A Associação Portuguesa de Mulheres Juristas é uma organização não-governamental de juristas, fundada em 1988, com o objectivo de contribuir para o estudo crítico do Direito sob a perspectiva da defesa dos Direitos Humanos das Mulheres.

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